Um tubarão conhecido como “Bukangi” permanece preso em um canal na cidade portuária de Busan, na Coreia do Sul, há quase três semanas. Desde sua primeira aparição no local em 18 de setembro, o animal, uma fêmea da espécie Carcharhinus obscurus, tem atraído a atenção de mais de 1,4 milhão de visitantes. No entanto, a aproximação do frio e os sinais de estresse do tubarão geram crescente apreensão entre pesquisadores.
As tentativas de resgatar Bukangi já somam duas, ambas sem sucesso. Na última, o tubarão foi levado perto da saída do canal, mas, durante a maré alta, conseguiu retornar à parte interna ao passar por uma rede. Diante desse cenário, as autoridades locais apostavam em uma saída espontânea do animal, mas, nos últimos dias, especialistas começaram a recomendar uma nova estratégia de resgate.
O professor Choi Yoon, da Universidade Nacional de Kunsan e especialista em tubarões, alertou que a retirada do animal deve ocorrer antes de meados de novembro, quando a temperatura da água tende a cair drasticamente. Bukangi habita águas entre 18°C e 26°C, e sua saúde pode ser comprometida se a temperatura cair abaixo de 15°C, o que é esperado para o próximo mês. Atualmente, a água do canal está em torno de 22°C, mas as previsões indicam uma queda acentuada.
Além das condições climáticas, a interação de visitantes com o tubarão levanta preocupações. Relatos de moradores que utilizam lanternas fortes durante a noite e até jogam restos de comida no canal podem estar contribuindo para o estresse do animal, que já apresenta ferimentos no focinho e um comportamento repetitivo ao nadar na mesma área. Apesar disso, pesquisadores afirmam que, até o momento, não há indicações de problemas graves de saúde.
O Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras da Coreia do Sul, órgão responsável pelo monitoramento do tubarão, continua a acompanhar seus movimentos e as condições da água, enquanto a prefeitura de Busan discute a possibilidade de uma nova tentativa de resgate. A situação de Bukangi é um reflexo da complexa relação entre a vida selvagem e a presença humana, destacando a necessidade de uma intervenção cuidadosa e responsável.
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