quinta-feira, 29/10/2026

Temas relevantes como SUS, educação matemática, crise climática e situação de rua são pouco abordados nas campanhas eleitorais.

À medida que a corrida presidencial de 2026 avança, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm apresentado suas propostas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, muitas questões…

Compartilhe:

À medida que a corrida presidencial de 2026 avança, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm apresentado suas propostas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, muitas questões cruciais para o futuro do Brasil têm sido deixadas de lado nas discussões públicas. Um recente debate promovido pela TV Globo destacou alguns desses temas, mas especialistas apontam que a profundidade das propostas ainda é insuficiente.

Entre os assuntos que não receberam a devida atenção, os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) e o impacto do envelhecimento da população se destacam. Com investimentos anuais que ultrapassam R$ 254 bilhões, o SUS é fundamental para a saúde dos brasileiros, abrangendo desde vacinação até vigilância sanitária. Contudo, a necessidade de financiamento adequado e a coordenação de serviços de saúde foram temas ausentes nas plataformas políticas.

Rudi Rocha, professor da FGV, alerta que o crescimento da população idosa exigirá mais recursos e uma gestão integrada do sistema. O envelhecimento traz consigo um aumento na demanda por tratamentos médicos e cirurgias, o que pressiona ainda mais as finanças do SUS, que já enfrenta desafios para manter sua tabela de serviços atualizada.

Outro aspecto negligenciado diz respeito à educação, especificamente ao ensino de matemática no ensino médio. Dados do Todos pela Educação mostram que, enquanto a alfabetização em língua portuguesa avançou, a aprendizagem em matemática estagnou, com 58,6% dos alunos do ensino médio apresentando defasagem no conhecimento. A falta de formação adequada para os professores e a escassez de recursos pedagógicos são fatores que perpetuam esse ciclo de fracasso educacional.

Em um panorama ambiental, o fenômeno do El Niño, que promete trazer consequências severas para o clima brasileiro, também não teve a devida atenção nas campanhas. Com as projeções indicando um aumento significativo de desastres naturais, a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas é urgente. Especialistas, como o climatologista Carlos Nobre, ressaltam que a falta de preparação do Brasil para eventos climáticos extremos pode resultar em consequências devastadoras para a população, especialmente para os mais vulneráveis.

A situação da população em situação de rua, que conta com mais de 390 mil pessoas no Brasil, também merece destaque. Estudo do Ipea revela a complexidade dessa questão e a falta de políticas públicas direcionadas. Ambos os candidatos parecem ter ignorado essa camada da sociedade em suas plataformas, um descaso que pode custar caro ao país a longo prazo.

O debate em torno dessas questões essenciais deve continuar a ser uma prioridade, independentemente de quem assumir a presidência. O Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar as necessidades de sua população, pois a construção de um futuro mais justo e igualitário depende da atenção a esses problemas estruturais. O momento é de reflexão e ação, e não de esquecimento.

Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo