As Nações Unidas emitiram um alerta nesta quarta-feira (21) sobre a urgência de uma mobilização internacional em resposta ao fortalecimento do fenômeno El Niño, que promete ser mais intenso do que os eventos anteriores até o final deste ano. A advertência foi feita pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, e pelo chefe das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, em uma coletiva de imprensa realizada em Genebra.
Com a previsão de que o El Niño atinja seu pico entre o final de 2026 e o início de 2027, a OMM destaca que as temperaturas da superfície do oceano no Pacífico tropical podem registrar níveis históricos. Diante desse cenário, Saulo enfatizou a importância de uma ação antecipada, afirmando: “Não podemos impedir o El Niño, mas podemos evitar muitas de suas consequências humanas mais graves.”
A chamada para ação não se limita a palavras; os líderes da ONU pedem que governos e instituições financeiras disponibilizem recursos antes da ocorrência de desastres naturais. Fletcher reiterou que a liberação de financiamentos deve ocorrer antes dos danos, e não após, para proteger as populações vulneráveis de secas, enchentes, ondas de calor e perdas agrícolas.
Os países andinos já estão se mobilizando para enfrentar os desafios que o El Niño traz, uma vez que as secas e enchentes frequentemente não respeitam fronteiras nacionais. A iniciativa, discutida no âmbito do Comité Andino para a Prevenção e Alerta de Desastres (CAPRADE), busca uma resposta coordenada entre as nações da região, especialmente nas áreas fronteiriças.
A OMM também apontou que a atual situação climática, marcada pelo aquecimento global, agrava ainda mais os efeitos do El Niño. Espera-se que as anomalias nas águas do Pacífico equatorial cheguem a 3,8°C acima da média entre novembro e janeiro, superando o forte El Niño de 2015-2016, que já é um marco para eventos extremos.
As agências humanitárias da ONU estão particularmente preocupadas com os desdobramentos sociais que esse fenômeno pode acarretar. O último El Niño deixou milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, necessitando de assistência alimentar e de saúde. A proposta da ONU é implementar um modelo de “ação antecipada”, que utiliza previsões meteorológicas para alocar recursos antes que os desastres ocorram, visando proteger plantações e meios de subsistência.
Recentemente, a FAO e o PMA pediram apoio internacional para financiar ações voltadas a quase nove milhões de pessoas em 22 países vulneráveis ao impacto climático do El Niño. As medidas incluem a distribuição de sementes resistentes e a construção de infraestrutura para mitigar inundações.
Na América Latina, o temor se baseia em experiências passadas, onde eventos climáticos severos tiveram consequências devastadoras para o abastecimento de água, a agricultura e a saúde pública. A mensagem da ONU é clara: ainda há tempo para se preparar, e é fundamental transformar as previsões científicas em ações concretas para evitar que o fortalecimento do El Niño se converta em uma crise humanitária sem precedentes.
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