Um cenário alarmante se desenrola na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, onde incêndios de grandes proporções têm gerado preocupação e incertezas. O governo federal, sob a liderança do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, investiga a possibilidade de uma “ação criminosa deliberada” por trás do aumento significativo nos focos de incêndio, que quase dobraram em relação ao mesmo período do ano passado.
Desde o início deste mês, o Amazonas já contabiliza 1.608 focos de queimadas, uma cifra alarmante considerando que em todo outubro de 2025 foram registrados apenas 874. Com a fumaça cobrindo Manaus, a situação se agrava, afetando diretamente a qualidade do ar na capital amazonense, onde a administração local já decidiu fechar escolas públicas em resposta ao problema.
Capobianco, após sobrevoar as áreas afetadas, observou “centenas” de focos em regiões de floresta preservada, distantes das áreas agrícolas, o que sugere que as queimadas não são resultado de práticas agrícolas comuns, mas sim de uma ação orquestrada para promover a degradação ambiental e a ocupação ilegal de terras. O ministro levantou a hipótese de uma conexão com o período eleitoral, apontando que alguns políticos têm utilizado a situação em suas campanhas, o que torna essa linha de investigação ainda mais pertinente.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a gestão atual, atribuindo a responsabilidade pela situação à suposta negligência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na tentativa de conter o avanço das chamas, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas, com a expectativa de que a situação melhore em breve.
Embora os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontem que o desmatamento na Amazônia caiu pela metade entre 2022 e 2025, os números atuais de queimadas são comparáveis aos níveis mínimos históricos do ano passado, levando a um impasse entre os avanços e os retrocessos na preservação da floresta. O fenômeno climático El Niño também lança uma sombra de incerteza sobre a região, intensificando as temperaturas e as secas.
Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Alexas_Fotos (pixabay)



