O Brasil apresentou uma queda significativa de 6% nas emissões de gases de efeito estufa em 2025, alcançando o menor nível em oito anos. Os dados, divulgados pelo Observatório do Clima nesta terça-feira (20), revelam que o país emitiu 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, uma redução em comparação com o total de 2,19 bilhões de toneladas registrado em 2024.
Esses números fazem parte da 14ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e são impulsionados principalmente pela diminuição do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Essa tendência positiva aproxima o Brasil de suas metas climáticas estabelecidas no Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global.
As emissões líquidas, que consideram o carbono absorvido por florestas e vegetação em áreas protegidas, também caíram, registrando uma diminuição de 9%, totalizando 1,41 bilhão de toneladas. Embora o país tenha ficado 85 milhões de toneladas acima da meta de 1,32 bilhão de toneladas para 2025, o SEEG aponta que, nos últimos quatro anos, as emissões brutas foram reduzidas em cerca de um quarto.
David Tsai, coordenador do SEEG, expressou preocupação com a dependência da redução das emissões em um único setor, o uso da terra, e enfatizou a necessidade de ampliar os esforços em outras áreas econômicas para garantir o cumprimento dos compromissos climáticos para 2030 e 2035.
A principal causa da redução das emissões em 2025 foi a queda acentuada no desmatamento, que diminuiu 15%, passando de 957 milhões para 814 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Essa redução foi observada em todos os biomas, com a Amazônia apresentando uma queda de 20% nas emissões relacionadas à destruição da vegetação.
Entretanto, mesmo com esses avanços, o desmatamento continua sendo a maior fonte de emissões do Brasil, representando 39% do total em 2025, seguido pela agropecuária e setor energético. A pesquisa também revela que as emissões do setor agropecuário permaneceram praticamente estáveis, enquanto o setor de energia viu um aumento de 1,2% nas suas emissões, impulsionado pelo maior consumo de combustíveis nos transportes.
Os dados indicam que, embora o Brasil tenha feito progressos na redução das emissões associadas ao desmatamento, é fundamental que a nação amplie suas ações em outros setores para garantir o cumprimento das metas climáticas futuras. A continuidade das políticas de combate ao desmatamento será crucial para manter o ritmo das reduções necessárias para enfrentar a crise climática global.
Crédito da imagem: O que é o efeito estufa e o que ele tem a ver com a COP?



