quinta-feira, 29/10/2026

Desmatamento na Amazônia atinge menor índice desde 1988, segundo dados do Inpe

Recentemente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou dados que revelam uma queda significativa no desmatamento da Amazônia e do Cerrado, atingindo os menores níveis históricos desde o início das medições. Entre agosto…

Compartilhe:

Recentemente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou dados que revelam uma queda significativa no desmatamento da Amazônia e do Cerrado, atingindo os menores níveis históricos desde o início das medições. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área desmatada na Amazônia foi de 3.335 km², representando uma redução impressionante de 41,8% em relação ao ciclo anterior, que registrou 5.731 km². No Cerrado, a destruição da vegetação nativa também apresentou um recorde de baixa, com 5.516,69 km² desmatados, uma diminuição de 23,8% em comparação aos 7.235,27 km² do período anterior.

Os dados foram apresentados em uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, e fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que utiliza imagens de satélite para calcular a taxa oficial de desmatamento. O Prodes, iniciado em 1988, fornece uma análise detalhada da área desmatada, enquanto o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, serve como uma ferramenta de alerta rápido.

A queda acentuada nos índices de desmatamento é atribuída ao fortalecimento da fiscalização e ao controle sobre atividades ilegais nos últimos anos. Um marco nesse processo foi a reativação, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Desde sua criação em 2004, o plano tem sido fundamental para a redução do desmatamento, e ações semelhantes foram implementadas para outros biomas, incluindo o Cerrado.

Essas iniciativas visam aumentar o risco de punição para quem realiza desmatamento ilegal, utilizando medidas como embargos remotos, que permitem identificar e bloquear áreas desmatadas sem autorização por meio de imagens de satélite. Além disso, a atuação dos estados nas ações de controle e um maior rigor na concessão de crédito rural por parte dos bancos têm dificultado o financiamento para propriedades com desmatamento irregular.

No entanto, a situação no Cerrado é mais complexa. Embora a queda no desmatamento seja perceptível, a legislação vigente permite que uma parcela significativa das propriedades rurais seja desmatada legalmente, o que torna o controle mais desafiador. Assim, grande parte do desmatamento ocorre em áreas regularizadas, onde as ações de embargo e multa não se aplicam, evidenciando a necessidade de políticas mais eficazes, como incentivos econômicos para a preservação da vegetação nativa.