quinta-feira, 05/11/2026

Coalizão ambientalista formaliza 14 denúncias contra JBS em órgãos reguladores europeus; empresa alega falta de acesso aos documentos.

A Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) lançou uma série de denúncias alarmantes contra a JBS, uma das maiores empresas de carne do mundo, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e conexão com o desmatamento ilegal.…

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A Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) lançou uma série de denúncias alarmantes contra a JBS, uma das maiores empresas de carne do mundo, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e conexão com o desmatamento ilegal. As alegações, apresentadas nesta quarta-feira (4) a agências reguladoras na Holanda, Alemanha, Irlanda e Reino Unido, envolvem financiadores e prestadores de serviços da companhia, abrangendo quatro países europeus.

As acusações se fundamentam em um estudo que associa fornecedores diretos e indiretos da JBS a aproximadamente 6,6 milhões de hectares de desmatamento desde 1988, incluindo áreas em terras indígenas. A maior parte da devastação identificada ocorreu antes de 2008, o que levanta questões sobre a responsabilidade da empresa em relação a sua cadeia de fornecimento.

A JBS, por sua vez, não teve acesso ao conteúdo completo das denúncias e se defende afirmando que desde 2010 monitora seus fornecedores na Amazônia utilizando imagens de satélite e georreferenciamento. A empresa garante que bloqueia automaticamente fazendas com desmatamento ilegal e outras irregularidades, mas as denúncias da TLC sugerem que essa supervisão pode não ser suficiente.

De acordo com Octavio Ferraz, advogado e professor de Direito no King’s College London, a utilização da legislação de lavagem de dinheiro para abordar crimes ambientais representa uma nova abordagem. Ele destaca a necessidade de instituições financeiras estarem atentas a clientes que possam estar envolvidos com práticas ilegais, incluindo o desmatamento.

As denúncias não se limitam à JBS, mas também atingem 12 de seus principais financiadores, como Barclays e Banco do Brasil, além de auditorias e escritórios de advocacia. A TLC, que une organizações jurídicas e ambientais, busca coordenar ações legais em diferentes países contra entidades que possam estar facilitando violações ambientais.

Um levantamento realizado para embasar as denúncias revelou que mais de 80% dos fornecedores analisados tinham registros de desmatamento em áreas protegidas. Embora a coalizão reconheça limitações na capacidade de rastrear cada animal até o abate, as informações cruzadas indicam movimentações de gado que podem sinalizar riscos de irregularidades.

A JBS lamenta a falta de transparência nas alegações contra a empresa e afirma que não pode responder adequadamente sem acesso aos dados utilizados no estudo. Já o Banco do Brasil, que também foi mencionado nas denúncias, reforçou seu compromisso com políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e destacou seus esforços para evitar financiamentos em desacordo com diretrizes socioambientais.

Enquanto as investigações avançam, a atenção sobre a cadeia de fornecimento de carne no Brasil e suas implicações ambientais continua a crescer, evidenciando a complexidade e a urgência das questões que envolvem a proteção do meio ambiente e a responsabilidade corporativa.

Crédito da imagem: Fachada da empresa JBS em Goiás